A pergunta que o processo vai fazer é direta: por que você concluiu isso. Por que aquela abordagem e não outra. Por que aquele critério e não outro. A conclusão está no laudo. O percurso, na maioria dos casos, está só na cabeça de quem assinou.
Se o registro do seu raciocínio é a sua memória, você vai responder com o que consegue reconstruir de um trabalho que fez meses atrás, às vezes mais de um ano. Vai lembrar da conclusão. Vai lembrar dos pontos principais. O que vai ser difícil de reconstituir com precisão é o detalhe - o que você viu, o que descartou, o que estava em disputa quando tomou aquela decisão técnica específica.
Não é a conclusão. É o percurso.
Um laudo bem escrito documenta o método, os dados analisados, os critérios aplicados e a conclusão. Isso é o mínimo técnico. O que o laudo não registra é o processo anterior ao texto. O que você considerou e descartou. O que estava ambíguo e como você resolveu. Por que você pediu aquela diligência específica e o que ela mudou na análise.
Contestação raramente ataca a conclusão diretamente. Ataca o percurso. Questiona se você considerou determinado aspecto. Levanta se a metodologia foi aplicada de forma consistente. Pergunta por que você chegou ali quando, com os mesmos dados, outra abordagem levaria a outro lugar.
Se esse percurso existe registrado, você vai defendê-lo com o que aconteceu. Se existe só na sua cabeça, vai defendê-lo com o que lembra.
Planilha tem campo para dado. Não para raciocínio.
O problema é que planilha não tem onde registrar raciocínio. Então o perito que usa planilha como sistema principal desenvolve naturalmente um hábito de documentar resultado - status, prazo, honorário, laudo entregue - mas o processo decisório fica de fora. O sistema que usa não convida a isso. Não existe o lugar certo para colocar.
Com o tempo, registrar raciocínio deixa de parecer necessário. Você lembra de tudo enquanto o caso está ativo. Depois que o laudo sai, o caso fecha na cabeça. O que ficou na planilha parece suficiente - até a contestação chegar.
A resistência comum - e o que ela não considera
Registrar raciocínio parece trabalho extra. Mais uma coisa para fazer num processo que já tem prazo, diligência, quesito, laudo e petição.
O que essa resistência não considera é que o raciocínio acontece de qualquer jeito. Você pensa, analisa, decide, descarta, conclui. O trabalho cognitivo já está sendo feito. O registro captura o que já está acontecendo. Sem ele, esse trabalho some quando o laudo sai.
Consistência ao longo do tempo
Há algo mais que o registro produz, que quase nunca aparece nessa conversa: consistência ao longo do tempo. Perito que documenta o percurso decisório começa a perceber padrões no próprio raciocínio. Onde tende a ser mais cuidadoso. Onde tende a simplificar. Onde o método precisa de revisão. Sem registro, essa leitura não é possível. Você opera, mas não aprende com a operação de forma sistemática.
Hábito se forma quando o ambiente facilita o comportamento. Perito que usa um sistema com campo específico para observações vinculadas ao processo - um registro ligado àquele caso, àquela etapa, àquela decisão - registra mais porque o sistema está no caminho natural do trabalho. O lugar existe. Está visível. Está junto com o restante do caso.
Quando isso acontece desde o começo da prática, o registro de raciocínio pericial passa a ser parte de como o trabalho é feito. E o perito que chega numa contestação com esse histórico disponível está numa posição diferente. Não por sorte. Por como trabalhou desde o início.
LabPeritus
Registro de raciocínio no caminho natural do trabalho
Campo de observações vinculado a cada processo, cada etapa, cada decisão. Para que quando a contestação chegar, o percurso exista registrado - não dependa de ser reconstruído.
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