LabPeritus · IA e Perícia

Por que "IA que
escreve laudo" é uma
promessa perigosa

A pergunta não é se a IA escreve bem. Ela escreve. A pergunta real é: o que ela está escrevendo — e em nome de quem?

A pergunta que ninguém faz

A pergunta não é se a IA escreve bem. Ela escreve. Com fluência, com estrutura, com a terminologia técnica correta.

A pergunta real é outra: o que ela está escrevendo — e em nome de quem?

Quando alguém usa IA para gerar um laudo sem ter estruturado o método antes, três problemas costumam aparecer. Não imediatamente. Meses depois, em audiência, quando alguém pergunta o que não está no texto.

A IA não cria método. Ela amplifica o método que já existe. Se não há método explícito, ela só acelera o erro — com ótima redação.

O que acontece quando o método não veio antes

Problema 1

O raciocínio vira caixa-preta

A conclusão aparece, mas o caminho até ela fica implícito — ou pior, gerado pelo modelo sem base técnica real. O texto soa correto. O raciocínio que deveria sustentá-lo não existe fora da máquina.

Problema 2

Evidência e opinião se misturam

O texto técnico gerado por IA soa técnico — mas não distingue necessariamente o que é dado verificável, o que é inferência e o que é julgamento profissional. Essa distinção é responsabilidade do perito. A IA não tem como fazê-la.

Problema 3

A responsabilidade continua sendo humana

No final, quem assina é o perito — não o modelo. A impugnação não pergunta "quem escreveu". Pergunta "como você chegou a essa conclusão". Se a resposta é "a IA gerou", o problema acaba de começar.

O debate errado

O debate que o mercado está tendo é: "IA escreve laudo ou não?"

O debate que deveria estar sendo feito é: "O método pericial está claro o suficiente para merecer ser assistido por IA?"

São perguntas muito diferentes. A primeira é sobre ferramenta. A segunda é sobre método. E a segunda é a única que protege quem assina.

Ferramentas responsáveis começam antes do texto: na estrutura do raciocínio, na cadeia de evidências, na clareza do papel humano.

É aí que a tecnologia faz sentido. Fora disso, é risco disfarçado de eficiência.

Como a IA deveria entrar na perícia

Existe um uso responsável de IA na prática pericial. Não é geração de texto — é verificação de coerência.

A diferença é fundamental. Na primeira versão, a IA produz e o perito assina. Na segunda, o perito produz e a IA confere: este quesito não tem raciocínio registrado. Esta conclusão diverge do método documentado três quesitos atrás. Você tratou um caso parecido em março — quer comparar a abordagem?

Essa distinção muda quem está no controle. E na perícia judicial, quem precisa estar no controle é sempre o mesmo: quem assina.

É a posição do LabPeritus — e não vai mudar.

Leonardo Costa
Engenheiro - Perito Judicial - Fundador do LabPeritus

LabPeritus

IA a serviço do método.
Não o contrário.

O LabPeritus organiza o raciocínio pericial antes do texto. A direção é IA como verificadora de coerência — nunca como geradora de laudos.

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